Saúde

A relevância dos aminoácidos na medicina

Os aminoácidos são imprescindíveis nas áreas médica e nutricional. São matérias-primas importantes para certos medicamentos, em alguns inclusive sendo o principal componente da função terapêutica - como a Glutamina, que é utilizada de forma eficaz no tratamento de úlceras e na reparação das mucosas do sistema digestivo. Já a Arginina exerce um efeito imunoestimulador não somente em pessoas saudáveis, mas também nas que apresentam prejuízo da função imunológica, tais como pacientes no pós-operatório, em terapia intensiva e pessoas infectadas com o vírus HIV.

Atualmente, há um número expressivo de medicamentos que utilizam aminoácidos como produtos intermediários na sua produção, entre eles alguns antibióticos, anti-hipertensivos e antivirais. Um exemplo é a Nateglinida, um hipoglicemiante oral (utilizado no tratamento da diabetes) desenvolvido pela Ajinomoto no Japão. Outros medicamentos utilizam aminoácidos naturais, como Prolina, Valina e Fenilalanina; além de aminoácidos sintéticos, como a D-fenilalanina.

O Japão foi o pioneiro no uso de aminoácidos na medicina

Em 1956, foi lançada no Japão a primeira solução de aminoácidos de alta qualidade para suplementar a nutrição de pacientes nos períodos pré e pós-operatório, contribuindo para a melhora da qualidade da nutrição parenteral, pois possibilitou a gestão nutricional dos pacientes e reconhecidamente aumentou os índices de sucesso das intervenções cirúrgicas.

A evolução das tecnologias de produção de aminoácidos – sobretudo através da técnica de fermentação - possibilitou a produção de aminoácidos de alta qualidade a custos inferiores e em grandes quantidades, contribuindo para a popularização das infusões de aminoácidos.

Ajinomoto Co. Inc. é a maior produtora mundial de aminoácidos para uso médico

O glúten de trigo ou a proteína da soja, quando hidrolisados, produzem uma solução que contém aminoácidos, moléculas que formam as proteínas. No início, a Ajinomoto Co. extraía apenas um deles, o Ácido Glutâmico, mas posteriormente passou a notar que cada um dos aminoácidos restantes, quando isolados na forma cristalina, poderiam ser utilizados na medicina.

Com o intenso desenvolvimento verificado nas tecnologias de separação e purificação dos aminoácidos, a empresa já era capaz, no início dos anos 50, de separar 18 tipos de aminoácidos que, envasados em pequenos vidros, eram distribuídos para pesquisadores não só do Japão como do mundo inteiro.

Essa disponibilidade de aminoácidos serviu como força motriz para impulsionar pesquisas sobre a aplicação dos aminoácidos em todo o mundo. Segundo dados de 2014, o consumo mundial de aminoácidos para uso médico era de cerca de 30 mil toneladas anuais. O Grupo Ajinomoto é o maior produtor mundial de aminoácidos, cumprindo as grandes responsabilidades que lhe cabem como empresa líder nesse setor.

Aminoácidos contribuem para o tratamento de insuficiências hepáticas e renais

Uma característica dos pacientes portadores de insuficiências hepáticas e renais é apresentar baixos níveis de BCAA (do inglês Branched Chain Amino Acids, a saber, aminoácidos de cadeia ramificada: Valina, Leucina e Isoleucina) no sangue, em comparação às pessoas com o fígado sadio.

Esse desequilíbrio de aminoácidos no sangue eventualmente acarreta o risco de encefalopatia hepática, que pode levar a pessoa ao coma. Contra isso, a medicina desenvolveu preparações de aminoácidos de cadeia ramificada, que previnem o surgimento da encefalopatia hepática ao mesmo tempo em que permitem o suprimento dos aminoácidos necessários ao organismo, tendo apresentado resultados relevantes no tratamento das insuficiências renais.

Quando pacientes de insuficiências hepáticas e renais obtêm as proteínas necessárias através de refeições, os aminoácidos metabolizados acabam se transformando em ureia, um resíduo que precisa ser eliminado. A insuficiência renal crônica é uma doença em que o papel de “filtro” do rim apresenta perda funcional, levando ao acúmulo de ureia no sangue. À medida que o quadro da doença se agrava, os portadores podem necessitar de tratamento através de diálises e, simultaneamente, são orientados a adotar dietas com restrição de proteínas. No entanto, uma dieta prolongada com pouca proteína reduz a concentração de aminoácidos no sangue, prejudicando a condição nutricional do paciente. A suplementação dos aminoácidos necessários nas quantidades exatas, principalmente daqueles relevantes para manutenção das funções do organismo, permite manter a nutrição adequada e, ao mesmo tempo, prevenir a diminuição das funções renais.

A importância de uma boa alimentação

As proteínas, que constituem parte significativa do nosso corpo, se formam e se degradam o tempo todo. Ingerir os aminoácidos através das proteínas dos alimentos é importante nas nossas refeições. As proteínas consumidas nas refeições são fragmentadas e absorvidas pelo organismo e, até chegar ao fígado, praticamente todas elas já passaram para a forma dos aminoácidos individuais que as constituem.

Falta de aminoácidos provoca desde nutrição deficiente até pele maltratada

A insuficiência de aminoácidos dificulta o funcionamento correto de várias funções corporais. Sobretudo a deficiência dos aminoácidos essenciais, que leva a situações como nutrição insuficiente, danos à pele etc.

Nove aminoácidos só podem ser obtidos através das refeições

Dos 20 tipos de aminoácidos que formam as proteínas, 11 são produzidos pelo nosso corpo a partir de outros aminoácidos. Todavia, os nove restantes não podem ser sintetizados pelo corpo humano, e são chamados de Aminoácidos Essenciais, pois precisam ser obtidos através da alimentação.

Para pessoas que tendem a ter uma alimentação desbalanceada, suprir-se de aminoácidos é muito eficaz. Proteínas animais, no geral, apresentam grandes quantidades dos aminoácidos essenciais. Como as proporções entre eles são bem parecidas com a dos humanos, eles são bem absorvidos pelo nosso corpo. Por outro lado, as proteínas vegetais também são ricas em aminoácidos, mas algumas delas podem apresentar falta de um ou outro aminoácido essencial (como a Lisina e a Metionina). Na vida moderna, os nossos hábitos alimentares tendem a estar em desequilíbrio com nossa real necessidade nutricional. Podemos dizer que suprir os aminoácidos que fazem falta na nossa dieta contribui para manter nossa saúde.

Aminoácidos e a gastronomia

Os sabores mudam conforme a combinação de aminoácidos!

Os aminoácidos têm diversos sabores, como dulçor, salinidade, amargor, acidez e umami. Existem, por exemplo, aminoácidos doces como a Glicina e a Alanina e outros com gosto amargo, como é o caso da Valina.

A combinação de aminoácidos com sabores específicos é um fator decisivo no gosto dos alimentos. Sabemos, hoje, pela medição do teor de aminoácidos presentes nos alimentos, que os sabores que sentimos estão fortemente relacionados aos tipos e quantidades de aminoácidos neles contidos.

Por que o tomate maduro é tão gostoso?

À medida que o tomate vai amadurecendo, ganhando sua cor vermelha sob a luz do sol, o seu teor de açúcares e aminoácidos vai aumentando e assim, o tomate fica mais gostoso. O sabor do tomate não seria o mesmo sem o Glutamato e a Asparagina naturalmente presentes nele. Removendo o Glutamato, o tomate fica com gosto parecido com o de um suco de maçã bem aguado ou de uma ameixa meio azeda. A proporção de aminoácidos também é um ponto importante: o tomate é mais gostoso e tem o seu gosto característico mais evidente quando a proporção entre o Ácido Glutâmico e a Asparagina é de quatro para um.

O sabor dos caranguejos, ouriços-do-mar e outras iguarias marinhas também provêm dos aminoácidos

Por detrás dos sabores dos frutos do mar, está um aminoácido: a Arginina. Os apreciadíssimos caranguejos-das-neves têm o seu sabor peculiar graças a alguns poucos aminoácidos, ácidos nucleicos e sais minerais. A Arginina, um aminoácido amargo, tem um aroma característico associado aos frutos do mar.

O sabor dos ouriços-do-mar é proveniente principalmente de cinco tipos de aminoácidos. Misturando-se esses cinco aminoácidos na mesma proporção encontrada nos ouriços-do-mar, somos capazes de reproduzir com notável perfeição o sabor dessas iguarias. A Metionina é um aminoácido muito amargo, mas é o ingrediente-chave no aroma tão característico dos ouriços-do-mar; sem ela, seu sabor seria semelhante ao dos camarões e caranguejos.

Alimento fermentado é um manancial de aminoácidos

Nós, seres humanos, há muito tempo criamos e aprimoramos conhecimentos e técnicas para capturar, cultivar e conservar alimentos. E não nos limitamos apenas a conservá-los: passamos a preparar, cozinhar e processar alimentos para que pudéssemos comê-los com mais gosto e, assim, fomos desenvolvendo a cultura alimentar!

A fermentação foi uma das soluções para explorar o sabor dos alimentos; pois como as proteínas não possuem muito gosto, através da fermentação, os aminoácidos presentes nas proteínas da soja, peixes, leite, etc. são quebrados e liberados, proporcionando uma diversidade de sabores.

Alimentos fermentados são abundantes em aminoácidos e ricos em sabores, fornecendo aromas, atuando como temperos, dando identidade e sabor a diversos pratos culinários de cada região.

Proteínas quebradas produzem mais aminoácidos, deixando o alimento mais saboroso

Os leões, quando abatem presas na vida selvagem, inicialmente comem o pâncreas, o intestino delgado, o fígado e outras vísceras. A razão para esse comportamento é porque elas têm mais aminoácidos em comparação com os músculos - e, portanto, são mais saborosas. Dois ou três dias após os leões terem se afastado, hienas e outros animais vêm comer os músculos das presas, pois é exatamente nesse período que a quebra das proteínas dos músculos está mais avançada, produzindo mais aminoácidos e ácidos nucleicos, tornando a carne muito mais gostosa.

O mesmo acontece com o sashimi que comemos. Há quem diga que, quando o peixe é fresco demais, o sabor não é tão bom. A razão é idêntica: é somente entre 12 e 24 horas após o abate que o teor de aminoácidos e ácidos nucleicos presentes nos peixes aumenta, fazendo o umami atingir o seu pico.

Atuação dos aminoácidos em prol de um dia a dia mais saudável

Aminoácidos são necessários em várias situações do nosso dia a dia! Sua contribuição vai desde uma melhor qualidade do sono até o fortalecimento do sistema imunológico.

Sarcopenia: a perda natural de massa muscular

Com o avanço da idade, nossos músculos tendem a diminuir, pois perdemos massa muscular esquelética. Esse fenômeno natural é chamado de sarcopenia.

A medida que a sarcopenia evolui, há uma tendência do indivíduo diminuir a frequência e intensidade das atividades físicas - até as mais simples, como sair de casa - visto que músculos menores são também mais fracos; o que leva, inclusive, pessoas a ficarem mais suscetíveis a quedas e fraturas. Como resultado, aumentam as dificuldades para uma vida independente e livre.

Para prevenir e melhorar os problemas da sarcopenia é imprescindível movimentar adequadamente o corpo e ingerir proteínas de bom valor nutricional em quantidades suficientes. Uma boa alternativa para a ingestão das proteínas é o uso de aminoácidos. Estudos recentes mostram que a ingestão de aminoácidos aumenta a massa muscular e melhora a força física.

Sono de boa qualidade com aminoácidos

O sono bom, que consiste em repousar profundamente e acordar bem-disposto, depende além de um tempo de sono suficiente, que este seja de boa qualidade. O sono consiste de ciclos intercalados do tipo NREM e REM (movimento rápido dos olhos), mas devido ao estresse, hábitos irregulares, etc., este ciclo sadio pode ser prejudicado.

Bebeu demais ou está de ressaca? Também vá de aminoácidos!

A ressaca é resultado do álcool absorvido pelo organismo em decorrência da ingestão de bebidas alcoólicas e do acetaldeído, substância resultante do seu consumo. Muita gente já se conforma em ter ressaca no dia seguinte, mas a ingestão de aminoácidos - como a Alanina e a Glutamina - antes e depois do consumo de álcool, auxilia as funções hepáticas, atenuando os efeitos desagradáveis da ressaca.